10 de jul de 2014

Achei!

Os alemães pegaram o Brasil, mas o alemão não me pegou. Explico!

Hoje em meio em reunião tivemos que localizar uma minuta de negociação de um contrato que ocorreu em 2006. Não era um documento definitivo e que coubesse estar nos arquivos oficiais, era minuta primeira – parte de um processo de negociação ocorrido há 8 anos.

Correu de um lado a secretária sessentona e eu quase lá e num zas-trás tiramos dos nossos arquivos o malfadado documento. Nossa memória não nos traiu nem por um momento e o alemão do Alzheimer  não nos deu uma goleada, se quer passou por nossa defesa rápida e eficiente.

Rimos do fato, fizemos troça e piadas. Afinal, as velhinhas estão em forma, para mim mais que isto, uma mariquinha desorganizada ainda tenho domínio sobre meus papeis. Credito  o fato ao cafezinho diário, aliás aos muitos.

Tenho uma boa memória de longo prazo, mas em contrapartida só capaz de perder óculos, chaves, documentos etc. Pego aqui e largo alí, num lugar inimaginável. Tenho treinado a atenção para minimizar estes fatos e até tem surtido efeito.

Quando se trata de lembrar coisas passadas faz tempo lembro-me da cena com riqueza de detalhes. Ainda na sexta passada experimentei uma destas memórias ao entrar na sala de aula com minha filha. Era a defesa da dissertação dela e eu e o pai fomos levados a escola por ela.

Assistimos a defesa entre o vagar de lembranças do primeiro dia da escola,  a formatura do abc, a entrada na escola técnica, os gritos de passou no exame vestibular, a entrega do diploma e a pós-graduação.  Ouvimos atentos para registrar na memória a leitura da ata da banca examinadora que lhe conferiu o grau de Professora Mestre.


Assim dos pedaços alegres e dos tristes da vida tenho memórias arquivadas e também gavetas para coisas aparentemente inúteis como arquivar um velho documento em 2006 e hoje sacar uma caixa arquivo, sacudir a poeira e coloca-lo, não sem um sorriso vitorioso, sobre a mesa do chefe e depois tomar um cafezinho para comemorar.


Professora Mestre Cissa Bezerra


O melhor porta retratos é a memória

1 de jul de 2014

Antes que derrubem a porta!


A batalha das pilhas e espirais continua a avançar os limites na minha casa. A cada dia os papeis, provas, trabalhos, anotações dos alunos de minha filha avançam casa afora e faz muito tempo que  já deixaram os limites do seu território.

Todo final do semestre é esta loucura e chego a sonhar com mostrinhos de cabelo de espiral. É fato, que  Cissa tenta ser uma professora a moda antiga dando variados tipos de questões, estilos de prova, primeira, segunda e milésima chamada e com isso, soma-se papéis aos quilos ou toneladas.

Há também a invasão sonora porque o interfone toca por segundo com as entregas de trabalhos dos retardatários que imploram uma chance. E não raro ela jura que não, mas acaba descendo para pegar mais um trabalho que aluno tentou melhorar.

Não são poucas turmas e várias as engenharias que ela ensina e lá se vão às pilhas a multiplicar-se. Pacientemente, ela revisa, anota, pondera, aconselha e  mesmo assim, aluno irresponsável não tem conserto.

Agnes que também é professora, mas não permite que lhe invadam o espaço pessoal e apesar de querida, atenciosa, colaborativa mantém os limites na área institucional e não partilha endereço pessoal, telefone, portaria e  etc. com a galera. Particularmente, acho que ela está certa em ser solidária, colaborativa, mas reservar sua vida privada.

No meu tempo de universidade havia uma distancia entre professores e alunos encurtada nos momentos de militância conjunta ou no breve cafezinho na cantina da FFCH - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas  da Universidade Federal. Professor não era cúmplice e no máximo chegávamos  a colegas e raros casos, amigos.

Se por um lado Cissa é assim com os alunos, por outro trata o professor orientador do seu mestrado com respeito hierárquico, chama-o de Professor e respeita as datas e  os horários de contato e os  limites de uma relação colaborativa, tecida com respeito e uma certa distância como aprendeu.

Acho ( eu e o meu achismo!) que ela deveria refrear um pouco sua condescendência, antes que o efeito se inverta e os deseduque.
Sinto-me no direito de opinar porque as barricadas já alcançaram a porta do meu quarto e há muito a sala é território deles. Tenho que traçar uma estratégia antes que alcancem a mesinha da cafeteira e da água com gás porque aí......a guerra tá perdida!  



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