26 de mar de 2019

O pacote

Querida amiga,

ao retornar de uma viagem a serviço na região de Juazeiro, lugar onde se moha os pés com o Rio São Francisco - nosso Velho Chico, tive a grata surpresa da chegada do vosso livro.

Fiquei alguns minutos em extase, manuseando o pacote, olhando a letra do remetente, imaginando-o atravessando mar e desaguando na Bahia. Depois, cuidadosamente abri o pacote e ohei para ele como se estivessemos nos apresentando. Olá, eu sou a Nouredini, a quem sua mãe lhe confio a guarda!

Cheirei as folhas, senti a maciez do papel, imaginei-a indo aos correios postar e meu coração se encheu de felicidade e gratidão pela sua amizade e tanta consideração. 

Por um breve momento senti um aperto no peito, quem derá Zito vivo estivesse  e certamente, colocaria com toda distinção um post no Arrozcatum, entretanto, de imediato, me recompus ao lembrar, com alegria, que o Renda nos uniu  - eu , você e Zito. É verdade , que conheci outros, mas amizade a vera, ficou a nossa.

Minha amiga, quanto orgulho desta sua vitória. Hoje carriei o livro ao trabalho e mostrei a todos. Não canso de dizer:  - a minha amiga de Portugal escreveu seu primeiro livro e na minha fala fica a certeza de que outros virão.

Obrigada por esta alegria. Toda a família lhe envia saudações e lhe parabeniza a vitória.

Vou fazer um bolinho, passar um café e prazerosamente iniciar a leitura.
Com carinho,

Nouredini




16 de mar de 2019

O último vôo .

Bombeiros deixam Brumadinho com um belo e último sobrevoo e jogam flores sobre a lama, onde jazem 110 corpos que eles, incansavelmente,  tentaram resgatar e não  conseguiram.  Entretanto, com luta e trabalho, devolveram mais 150 mortos às suas famílias.

A esses profissionais, todo meu respeito, gratidão, carinho e orações;

As vítimas,  votos que possam retomar suas caminhadas e tenham oportunidades em novas vidas;

Aos familiares, amigos, vizinhos e colegas minhas vibrações  de amor e fraternidade;

Aos culpados, que a justiça  se faça.

Senhores, se pudesse,  lhes receberia para lavar-lhes os pés  e oferecer um café  fresquinho.

5 de mar de 2019

Um patrimônio colorido

Hoje choveu e ao colocar as samambaias para tomar chuva, me dou conta de que hoje tinha flores de muitas cores no meu pequeno e singelo ( maltratado,  mas resistente) jardim.

De rabo de olho vejo verdes de muitos tons e flores de muitos matizes, cores  tons,  que vao de um lilás transformador das tumbegias, passa pelo amarelo da Maria sem vergonha , um branco tímida da rosinha e dos jasmins, o vermelho e salmao do bouganville.
Reina ainda a orquídea  branca, o rosa e o vinho das alpineas , o ouro do margaridão , o rosa antigo do gerânio, branco e salmão dos cambarás  dão espaço a furtivos beija-flores e os jasmins   espalham um.perfume no ar.

Gosto do cantinho, onde a cerquinha , o pergolado e a grama, mesmo maltratada me enche de alegria.
Café, fulô, cadeira de balanço e rede reúne meu patrimônio impagável,  incomensurável...só  feliz porque tenho o que quero.
Viva a quem conquista seus sonhos. Eu conquistei e sou grata.

2 de mar de 2019

O Fim do mundo

É  comum que eu use a expressão "fim do ou de mundo"  para me referir a lugares distantes ou difícil acesso.

Quando criança, a minha vó me  contava a estória  de um homem que viajava até  o fim do mundo.
Sempre me fascinou  a idéia de um lugar onde o horizonte acabava. Entretanto,  com os anos e o dia a dia, a expressão  tornou-se apenas um adjetivo.

Agora, próximo  aos meus sessenta anos, vendo o mundo através  dos olhos das minhas filhas e genros, me deparo com foto recente de sua viagem Ushuaia - Terra do Fogo, onde ela disse: - carimbamos o passaporte no fim do mundo. Ushuaia, o último lugar antes do Polo.

Enfim, agora vi o fim do mundo, minha vó.  Passo um café  e lembro da senhora com saudade.

Obrigada Agnes e Alberto pelo empréstimo do olhar. Vejo tantas coisas com seus olhos e os de Cissa. Me sinto realizada.
O que quero daí? Um tempero, uma louça...
A vida e suas surpresas, mesmo quando se chega a sessenta carnavais.

25 de fev de 2019

Feliz e ponto.

Já se passaram quase 21 anos que fiz 39 anos.
Outros tempos e ritmos separam.os meus ultimos anos dos "inta"  de minha filha Cissa.

Tomo emprestado.o texto dela publicado ontem no Facebook e, com alegria, vejo como ela expressa as suas realizações:
"Hoje já acordei com tanta mensagem de carinho que fiquei pensando: mas o que significa fazer 39 anos?

Fazer 39 anos é acordar feliz por apenas estar na sua caminha e dentro da casinha que vc montou e construiu com muito trabalho.

Fazer 39 é acordar grata pelo amor dos seus pais e irmãos que as vezes erram essa data mas vc acha até engraçado porque vc os ama tão plenamente que nada disso importa.

Fazer 39 anos é reconhecer que as marcas do teu corpo e da tua alma revelam a sua história e que se sente aliviada por todo sol que já tomou, todo chocolate que já comeu, todas as gargalhadas regadas de bons vinhos e as noites perdidas nas horas boas e ruins.

Fazer 39 anos tem a ver com receber mensagem de aniversário de diferentes cantos do mundo.

Fazer 39 anos é contar amizades em décadas e algumas outras memórias do passado também.

Fazer 39 é nem conseguir contar quantos alunos já teve e saber que eles fazem questão de demonstrar carinho por vc no dia do seu nascimento.

Fazer 39 anos é aprender a meditar e não achar que isso é coisa de velho.

Fazer 39 anos é fechar os olhos e lembrar de cada lugar que já conheceu e que ainda quer conhecer.

Fazer 39 é saber que não seguir o ritos padrões de casar e ter filhos não te faz nem menor e nem infeliz. É mostrar para sociedade que modelos nao existem mais. É encher a casa de amigos e saber que isso vale mais do que muitas família. É receber presentes daqueles que conhecem sua alma e seus desejos. É se posicionar politicamente por pessoas, causas e circunstâncias. É morar em duas cidades e se sentir pertencendo a ambas. É fazer terapia e exercitar o autoperdão. É muita lágrima, é muito riso, é muito amor e é muito amar..."

Cissa...nascida pronta, mas lapidada devagar. Ela é  assim, todo dia melhora um tantinho.
Nova e velha. Menina sapeca, moleca e senhora de muitas histórias.
Sempre surpreende...tanto é de tantas formas, que nem acredito como foi acontecendo.

Cissa, Chica, a Lili da irmã e  Coisinha do cunhado. Prof. Cecília , Deus lhe guarde e ampare e proteja a sua caminhada.
Bjs amorosos, seja feliz sempre.

27 de jan de 2019

Morte anunciada

Não haverá café suficiente  no mundo para enfrentar a vigília  e asentilena das centenas mortos no crime de Brumadinho em Minas Gerais.

Toda perda doi,  mas mortes anunciadas doem muito mais porque é  envolta em revolta e na triste sensação  de dejavu. Sim, a 3 anos e ainda sem punições, milhões  metros cúbicos enterram distrito, povoados, pessoas, pertences e Toda história  de pessoas em  Mariana.

De lá prá a justiça que se amarra a quem convém e pende os pratos da sua balança sempre aos mais forte, fez muito pouco. Na époça de Mariana foram menos mortos, mas muitos prejuizos ambientais, um rio morto, desemprego, desespero  que ultrapassou o estado e bateu no mar. Os pecadores de água  doce e salgada testemunharam o desaparecimento dos peixes e a renda se foi.

Minas tem mais de 700 barragens e muitas são  de rejeitos de minério, muitos com risco avaliado maior do que a do córrego do feijão  rompida nesta sexta-feira.

O risco estava acima das suas cabeças pois a barragem estava a montante  da área administrativa. Era hora de almoço e o restaurante lotada. Nas roças do entorno da cidade Brumadinho as famílias almoçaram,  um grupo estava no ônibus largando o turno e voltando para casa.

Se viram ou sentiram não  sabemos. Dos mais de 200  desaparecidos, encontram 34 corpos ou partes. Identificação será muito difícil. Romaria de famílias a frente do centro de crise a procura de familiares. Família e que chegam a ter 5 desaparecidos, já  tidos como mortos.

Muitos nem conseguem chegar ao ponto da notícia pois estão  ilhados, sem luz, sem água, sem comida, restando-lhes lágrimas.

O crime aconteceu justo no momento que este desgoverno pretende afrouxar as leis ambientais. Sim crime, não  é acidente. Acidente é terremoto, tsunamis  e outros. Era sabido, foi negligência.

Esperei um bom  motivo para começar o café e bolinho de 2019. Pensei em falar do primeiro almoço do ano - a chamada lavagem do freezer. Cozinhamos e comemos de tudo que estava estocado.

Quis a vida que começassemos por está nota triste e revoltante.

Oro pelas famílias, pela equipe de resgate, pelos peritos do Instituto  legal em sua longa jornada. Que o Pai lhes conceda força e segurança no trabalho. Que a visão  do terror não  perturbe as suas noites de sono.

Nesta sentinela nem todo café  do mundo aquece a alma.

Shanti e notícias melhores venham neste segmento de ano.

Fraternalmente,
Nouredini

30 de dez de 2018

Finda o ano

E cá  cheguei e prometo resistir.

Aos que ficaram pelo caminho, meu carinho, respeito e saudade.

As minhas filhas e genro, toda gratidão.

Aos irmãos, a dor que nos reuniu  será  a alegria redobrada na volta de João.

Aos amigos toda minha fraternidade.

Aos irmãos espirituais, a minha eterna lembrança de que a FBU está  onde pomos o coração  e a mente.

Ao meu querido médico fraterno - Álvaro  Carvalho, obrigada será  sempre pouco.

Ao Dr. André  Jorge que me pôs  de pé, muito obrigada e todo meu respeito.

A todos a certeza de que os Mestres nos amparam, Cristo mora em nós  e os Budhas nos ensinam.

Um 2019, pleno de lutas e conquistas.
Muita paz e esperanças e se faltar, tome um café  que encoraja.
Feliz Ano Bom!