10 de mar de 2014

Café e saudade: R. I. P.

Para ser bem honesta e apesar do discurso fraterno, nem sempre a dor do outro é a minha! Entretanto, desde desde o ultimo sábado tenho sido permeada pela dor dos familiares dos 239 desaparecidos no vôo da Malaysia Airlains.

O fato é que conheço bem a angustia de quem a espera, se assusta com o atraso, desespera com o desaparecimento e aguarda por dias poder enterrar seus mortos. Esta é uma dor inesquecível!
Já se passaram 7 anos do acidente da GOL e  a saudade e a dor ainda estão presentes, mesmo que a nossa compreesnsão e aceitação tenham aumentado!

Os sete anos da morte de 154 pessoas no acidente com o voo 1907 da Gol - que em 29 de setembro de 2006 fazia a rota Manaus-Rio de Janeiro, com escala em Brasília e caiu em Mato Grosso após uma colisão com um jato executivo Legacy ainda estão vívidos. Sabe-se dos culpados, mas isso não trará as pessoas de volta. Tão pouco a pena ridícula de trabalhos comunitários imposta aos pilotos americanos ou indenização amenizam a dor dos amigos e familiares.
No nosso caso, foram 11 dias de espera regados a café, lágrimas e orações até podermos prestar uma última homenagem as nossas meninas. Uma sobrinha maravilhosa, mãe , profissional exemplaresposa e sua comadre também mãe, esposa e colega, que voltavam de uma viagem nos confins do Brasil, ambas militando em defesa das crianças vítimas de abuso e encorajando a denuncia do trafico de mulheres na fronteira. Seus filhos sempre terão do que orgulhar-se!
Apesar de exaltar ambas, não havia passageiros menos importantes. Todos tinha um significado para as suas familias, amigos e colegas. Todos embarcaram para chegar ao seu destino, cheios de planos, sonhos e motivações.
No episódio, eram 154 contra 2, um Boeing contra um Legacy! Não há racionalidade nisto e só nos resta aceitar que nada é perdido na aritmética da vida e deste saldo, no mínimo, saímos sabedores da nossa fragilidade;  que vida é feita no presente e o futuro só vale no dia que receber um carimbo da data presente, como umo café da hora.
Talvez os familiares do 2 pilotos causadores do acidente digam o contrario e até tenha aumentado a sua fé diante, diante deste escore tão improvável. As lições aprendidas podem variar, mas sempre acontecem e cabe a cada um aproveitá-las.
Penso nas famílias, nos amigos e colegas destes 239 passageiros da Malasya Airlains e sei o que estão passando. Passados 3 dias do acidente, sequer tem confirmada a causa ou o local. Eu mesma já chorei, orei e enviei toda minha energia amorosa com a  esperança de que nosso amor os alcance e possa confortá-los.
...Se pudesse estaria ao lado deles, distribuiria abraços e cafés!
Como nada é perdido, aproveito a oportunidade para me autoavaliar e percebo o quanto ainda sou pouco fraterna e como fico muito mais vulnerável as dores conhecidas ou reconhecidamente próximas. Me pergunto se senti esta mesma emoção em outro evento recente e vergonhasamente, digo não.
Olho no fundo dos meus olhos, fundo da minha alma, prometendo-me tentar entender que qualquer forma de dor do outro é nossa também e nos atinge e não importado a forma. Aprenderei, com esforço, a vibrar por toda dor e sofirimento desta humanidade, que sou eu.
Assim, este café vai para as minha menina - primeira sobrinha a nascer, formar, casar e a ter filho e a sua comadre, profissional guerreira como ela e também para todos que sofrem das mais variadas dores.
Que o calor da xícara aqueça seus corações e o amor do Pai os (nos) conforte!

2 comentários:

  1. O grande problema, minha amiga, é que a morte passou a fazer parte do nosso dia-a-dia, em forma de estatística...Iraque, Siria, Afeganistão, Paquistão, Ucrania...Já ninguem indaga se morrreu alguem, pergunta-se "quantos morreram, hoje?"...
    A banalização da morte, chega a fazer-nos duvidar da importancia da vida! É triste, triste como a morte nos tempos em que era doloroso morrer!
    Bjs tristes...
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    1. Verdade. Hoje morre-se as dezenas, centenas, milhares e tornou-se banal morrer.
      Agora, ainda mais, precisamos reforçar nossas atenções e espirito fraterno para compreender a dor do outro.
      R.I.P passageiros e tribulantes da Malysia Airlains

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