4 de nov de 2014

Tomando café com desconhecidos


Até parece título de filme que já muito rendeu as bilheterias em todo o  mundo, mas o fato é que muitas vezes partilhamos o nosso dia-a-dia, senão com inimigos, com estranhos. Muitas das nossas horas da vida são consumidas  em pequenos e apertados escritórios e repartições, onde nem sem quem nos rodeia é intimo, amigo ou fraterno. Apenas colegas, no sentido estrito da palavra.

São no mínimo de 8 horas por dia e 5 dias por semana e 11 meses por ano, anos a fio e nos damos conta de  que o tempo nem sempre nos une, cria laços ou intimidade. Tenho pessoas do outro lado do mundo, que considero amigos, sem nunca ter visto, com as quais troco meia dúzia de palavras, mas divido alegrias e tristezas, mesmo sem ter sequer ouvido suas vozes uma única vez.

Com estas pessoas, muitas vezes separadas por um oceano, partilho meu café e tardes inteiras. Falo sobre lembranças de uma infância que não convivemos e de um futuro que imaginamos. Destas sentimos saudades e por vezes, até nos aborrecemos com uma palavra má interpretada ou  uma ausência virtual mais prolongada. Associamos estas pessoas, até certo ponto desconhecidas, a cheiros, cores, sabores e preferencias. Buscamos nos nossos espaços coisas e motivos que nos lembre delas.

Há também as pessoas com quem ficamos a meio termos, as quais conhecemos e estão até certo ponto próximas, sentimos saudades, mas um ou outro pretexto desemparelha nossos caminhos e rumamos em sentidos diferentes, até que um dia, por capricho da vida, nos batemos numa fila de banco, de votação ou mesmo num momento de tristeza da perda de alguém querido e ai saltamos nos braços destas, afagos, olhares, juramos um novo encontro e que nem sempre acontece, mas elas seguem ali, num lugar reservado dos nossos corações.

Então por que diabo não conseguimos nos aproximar dos que estão a meio metro de nós? a quem vemos todo santo dia? Partilho com estes cerca de  8 cafezinhos por dia e para mim café é coisa séria. Não posso continuar sem refletir sobre isto sob pena de ter que sacrificar o café.  Fecho-me em copas e em copos para refletir e voltarei em breve para lhes contar.

Direto da mesa do trabalho, num roubo de tempo pago com o dinheiro do contribuinte, eu Nouredini, me ponho a pensar.




2 comentários:

  1. O tema é complexo mas fascinante...Daria para um longo serão de inverno, frente ao braseiro e um cafezinho fumegante...
    Bjs
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    1. hoje cheguei e os desconhecidos fizeram o favor de arrumar os meus arquivos

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Obrigada pela visita. Deixe seu comentáro, enquanto passo nosso cafezinho.