28 de fev de 2013

Café saudoso: Cairú, minha Pasárgada

 Vou-me embora pra Pasargada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


 
Saudades de Cairú, minha Pasárgada, terra que fui feliz e tanto amei. Tomava café com bolo, enquanto o sino dobrava chamando para a missa das 18h.
A casa verdinha ou verdona era a minha casa em Cairú.

2 comentários:

  1. Calculo que já tenha regressado de Pasárgada, ou Cairú...Minha Pasárgada se chama Mindelo e, calcule, nesse tempo em nem bebia café...do bom café do Fogo, tão raro como todas as Pasárgadas!
    Fico à espera que coloque os pés na realidade, de novo!

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