15 de mai de 2015

A moça do bordado




...Quando eu crescer terei um lençol deste, prometo! Lindo, feito com cuidado e amor pela amiga Dilita.

Dilita, senhora prendada nas artes de costura, vive em Portugal e nos brinda com sus belas histórias e estórias no blog rendadebirras.blogspot.com. Madura, ativa, depois dos filhos e netos encontrou no blog uma outra forma de ocupar-se, enquanto seu querido Olímpio segue para o trabalho. Costura com mestria e rendas as suas memórias e até as suas birras!

Dona de casa zelosa, cuida com esmero de tudo, salvo quando o frio intenso do inverno a desanima e faz só o que lhe é de obrigação. Quando chega a primavera, desperta qual flor brejeira a nos brindar com suas crônicas, lembranças e fotos. Desta vez, resolveu cuidar com carinho e afeto de uma renda produzida por sua mãe e que merecia um destino a altura.
O trabalho, como esperado, ficou glorioso e ainda nos rendeu um post no Rendas, onde com muita modéstia, ela diz não ter mais as habilidades de antes. Eu, de minha parte, formosa sem dotes, ou nem mesmo mais formosa, fiquei encantada com o resultado.

As rendas da mãe agora  repousam num cambraia fina, elegante e que embalará a geração atual e futuras,  perpetuando as lembranças familiares. Do  que ela nos contou, tiro uma lição – persistência. Disse-nos que teve que insistir para  que a antiga habilidade volta-se, tentar, conformar-se aos limites, mas não desistir.
Esta foi uma lição tão bela quanto a sua renda. Tão duradora quanto sua cambraia. Tão límpida quanto a sua fibra e disposição. Rendo-me a esta senhora de mais de 70 anos, blogueira, mãe, artista e que gosta de café quentinho.

Beijos amiga, paz e bem em bons lençóis!


4 comentários:

  1. Pensar em Dilita, trás-me sempre minha mãe de volta, ela que teria agora 100 anos se fosse viva...Ela fazia de tudo e todo fazia com uma eficiência impressionante, lavava, passava a ferro, cozinhava, fazia nossa roupa interior, nossas camisas e nossos calções e ainda tinha tempo para fazer renda, para bordar, para esfregar o nariz dela no nosso num beijo esquimó
    cuja origem nunca confirmei...Era uma perfecionista e acho que minha mãe e Dilita se teriam dado muito bem se se tivessem conhecido...Fruto da mesma cepa!
    Que saudades, mamãe...

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    1. Você, Dilita e alguns amigos se constituem no melhor dos patrimônios.
      Gosto de quem gosta e valoriza seus antepassados e memórias, mantendo-os vivos e tecendo o caráter das gerações futuras.
      Beijos ornados pelas rendas!

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  2. Querida Nouredini
    Ao ler o que escreveu sobre a minha pessoa, eu fiquei comovida. Eu disse ao Jair que ele é o meu parente brasileiro, mas agora tenho a certeza que a familia é maior, pois a minha amiga Nouredini também faz parte dela. Tem para comigo carinhos de familiar, eu sinto que isto é mesmo amizade. Queria dizer o quanto lhe agradeço, mas nem sei como, desta vez "perdi o pio... "Obrigada, obrigada, de todo o coração.

    Diziam os mais velhos que "quem bem tece, nunca se esquece" - é verdade, mas no meu caso até a visão está contra mim, apesar da ajuda de lentes apropriadas que só me falta dormir com elas...

    Ainda guardo como recordação os diplomas relativos ao curso de costura e bordados, nunca os exibi (tinha na gaveta) bastou me o "mal" de ser perfecionista, para me tornar única na minha terra em relação aos bordados. Fiz coisas muito bonitas e ganhei bom dinheiro.
    Depois casei, fui viver na área de Lisboa, e não mais trabalhei para fora. Fazia tudo o que era necessário nessa arte para a minha familia que entretanto foi crescendo.
    Costura, malhas, para todos, eramos cinco. Bordados nos vestidinhos das meninas, os vestidos da comunhão, calções bluzas, macacões, calças, ainda fiz uns casacos compridos quentes quando entraram para a Universidade.
    Isto só foi possível porque a minha mãe vivia connosco e tratava da comida e da casa, e fazia renda... ainda guardo dois vestidos de renda e um casaquinho feito por ela para as netas, os seus amores.
    Realizei-me, mas parei. Ainda fiz a indumentária para a minha Isabel vestir no casamento da irmã, e mais uns dois vestidos para a noiva, (eu vesti uma roupa com 2 anos) mas depois parei; e agora até para mim compro feito. Claro,
    encontro sempre "mazélas..." mas não fico a remoer.

    Amiguinha, desculpe tanta tagarelice. Sabe? Hoje é Domingo, e..........vim conversar consigo.
    Ainda me falta dizer-lhe que actualmente tenho 77 anos - isto já é uma carrada muito grande. Por isso me comecei a preocupar, receando não aplicar a renda - estou bem, mas quem muito já andou, não tem muito para andar...

    Desculpas muitas, agradecimentos muitíssimos.
    E um abraço, muito, muito afectuoso, da Dilita

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    1. Tudo que disse é verdadeiro e expressa meu carinho e resoeito por você; que mesmo não conhecendo de perto tenho em bom lugar no meu coração.
      Também publiquei a foto do seu trtrabalho no Facebook e até apareceu quem quisesse ser sua aluna.
      Abraços domingueiros

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