22 de jun de 2013

Café com catarse

Desde ontem a noite estamos em providencias com um a almoço para as filhas. O motivo é um prosaico encontro de família e alegria de compartilhar. Há quem, de língua mais ferina, diga que é uma forçada de barra ou um encontro provocado.

O fato é que nos ocupamos ontem e hoje. Nem imagine que estou a chefiar a cozinha, sou reles auxiliar, apoio e leva e traz.  Paulinho está cozinhando e eu às providencias!
Cozinhar neste momento não se resume a alimento, mas envolve um processo amoroso de escolha, cheiros, sabores e combinações. Infelizmente, como a vida é dual, também de exclusão. Cozinhar é uma ato dele, com seu vinho, seu fone de ouvido e raras intervenções para situar-se onde fica algum dos apetrechos que precisa.

Resumo-me a minha insignificância subordinada, mas prazerosa, de assistir o prazer dele com o que faz. Coloco uma musica, faço um café e venho para cá conversar com quem me ouve ( força de expressão!).
Hoje pelos recantos deste nordeste a bola da vez é o forró, afinal estamos às vésperas de S.João, tem jogo do Brasil, etc; entretanto, este festejo é diferente e com pessoas ruas levando a sério o momento e cantando o Hino Nacional com mantra para lembrar a sua cidadania vilipendiada.

Ouvimos bombas ecoarem por todo Brasil, mas não rojões juninos e, quando o são ,estão na mão do povo que recebe de volta bombas de gás, bombas efeito moral e saraivadas de balões de borracha, que não machucam menos que balas, apenas minimizam a pena de quem as atira.
O povo tá na rua e não diz “ dai-me de beber senão em vou embora” ou “olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo”, musicas tipicamente juninas. Só olham  para ver onde  irão caíras bombas que são atiradas contra eles.

Como em toda festa,  muitas vezes,  há excessos  e fica-se embriagado. Desta vez, a embriaguez é de cidadania, entretanto ainda que justificada no motivo, já  começa a ameaçar o próprio movimento e a soberania. Preocupa-me o espaço que está se dando a nossa “ Direita reacionária” . Já correm manifestações de impecahement.

Se faltasse todo café  no Brasil, se tivéssemos perdido a lucidez total e absoluta, mesmo assim não poderíamos comparar este tempo ao  que já passamos. Há erros, despreparo, omissões, desvios mas o Senado Federal, O Itamarati ainda são símbolos fortes e depreda-lo cheira a porre coletivo e para isto só café com sal.

Ando descontente, para dizer pouco, com o partido que ajudei a construir e também me identifico na maioria das palavras de ordem do moivmento. Me arrepia e alegra ver o povo na rua ocupando seus espaços, no entanto temos que ser lúcidos e cautelosos. Estamos expondo as nossas vitórias duramente conquistadas.

Vou mandar fazer carros pipa de café forte e chá de lucidez com gotas de tolerancia para uma policia despreparada e condena-los a assistir dia e  noite, sem cafezinho no bar da esquina, os atos de terror que vivemos nos anos 70 e  a cada cochilo moral, gritar: - Acordem!

O papo  tá ficando muito sério e sou invadida pelo cheiro que vem da cozinha e volto ao meu umbigo. Jorge Aragão canto os últimos versos de “encontro das águas” e fica ecoando na minha cabeça:

Qual de nós 
Foi buscar o que já viu partir, 
Quis gritar, mas segurou a voz, 
Quis chorar, mas conseguiu sorrir ? 
Quem eu sou 
Pra querer
Entender O amor?

O amor pelo país, pelo amado, pelos filhos, pelas lutas , pela possibilidade da sanidade e cidadania.

Me senti traído e traidor
Fui cruel sem saber que entre o bem e o mal 
Deus criou um laço forte, um nó 
E quem viverá um lado só ?

A música segue e conclui por mim e aponta para o rumo das coisas:

Hoje vai pra nunca mais voltar
Como faz o velho pescador 
Quando sabe que é a vez do mar.

“Entrei pelo pé  do pinto e acabei saindo no pato”. Não importa, disse o que queria.

Resta-nos a pergunta, que está fazendo as vezes do mar?




Imagens copiadas no Facebook, sem autorização mas com intuíto de divulgação. caso queira que retire, basta enviar postagem


3 comentários:

  1. É muita emoção para uma pessoa só: Paulinho, cozinha e o "povo unido"...
    De Paulinho e cozinha, temos conversado, já o povo parece ter aberto a caixa de Pandora e deixou entrar os extremos de todos os sinais e, quando isso acontece, a liberdade vira libertinagem...É reciso amarrar o touro, bwm rápido, antes que entre na loja dos cristais - a dos direitos de cidadania de cada um!

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  2. Caro amigo,
    Desde a saída de Collor não via tanta gente nas ruas e simultaneamente, em todo Brasil- caoitais e interior. Não existe pauta, existedm pautas -cada grupo levaaa sua.
    Só não vale esquecer que isto isto não começa agora. Muitos, ibclusive a Presidente, lutaeam e sofrera m no passado para construir uma consciência cidadã.
    Temos que honrar o momento e não perder a mao.
    Quanto a Paulinho, estes breves momentos terminam amanhã , quando ele seguir oara visitar os filhos. Visita de passarino, vem csta, bica e vai voltarei a minha costumeira solidão, minimizada pela sua akegre visita.
    Abraços amigo,.meu anjo guardião sempre presente,
    Beijos de Eulália de Efigenio.

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  3. A solidão é um estado de alma relativo...A solidão física é uma coisa a psicológica, é outra e tanto uma como outra podem sempre recorrer à imaginação, à memória, à nossa capacidade de sonhar...Afinal, Paulinho apenas se ajusenta, fisicamente! Tenha fé que, sendo metade de café é, no entanto, igualmente prenhe de cafeína e mantem-a acordada, çesmo quando dorme!
    Bjs. de olho esbugalhado
    Zito

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