9 de jul de 2013

Café com conhaque.

Tem dias que nossa vida fica assim, meio coisa de folhetim! Aliás, vida de folhetim ou coisa de folhetim é para meia dúzia de mortais entender a expressão, mas tenho certeza que os poucos que me visitam vão entender plenamente porque tem uma alma boêmia, gosto nostálgico e até melodramático.

Este sentimento me invadiu a partir de algo concreto e nada relacionado ao afeto: - Falta uma hora para iniciar o expediente e cá já estamos em providências de um material urgente, uma nota técnica, uma exposição de motivos , uma justificativa de uma resposta difícil de encontrar. Chafurdados em papéis, tentamos compor uma lógica, um argumento plausível brigando contra a verdade de que,  não há lógica sem coerência e assim, andamos em círculos nada virtuosos.

Conheço este mesmo movimento de outras paradas, ele está dentro de mim. Odiável, mas verdadeira esta constatação de que tem faltado lógica e racionalidade a algumas atitudes pessoais, principalmente as afetivas. Coisas de gente viciada!

Meu Deus, como são dissimulados os vícios, disfarçados de ações normais, vestidos de bom comportamento e grandiosidade. O vício pelo outro é algo cruel, uma gaiola de flores perfumadas, mas carnívoras. Queremos retê-los, sugar a alma para  fundir com a nossa.


O vicio da baixa estima, de não ser merecedor. Este então, já rendeu muitas músicas nas paradas de sucesso. Conheço bem os vícios dos ciumentos, possessivos e inseguros. Tenho PHD em todos eles.

Faz muito pensei ter deixado para trás os  volumes ilustrados desta biblioteca e rasguei os títulos de doutorado, mas eles são impressos na alma, são cármicos, uma doença crônica e sujeita a recidivas. Eles acenam e voltam, ou se instalam sem nem sinalizar. São como nossos donos – o ego briga querendo  sobrepor ao Eu.

Para compor esta cena de quinta, ao fundo Nora Jhones canta:





What Am I To You?

What am I to you?
Tell me, darlin', true
To me you are the sea
Vast as you can be
And deepest shade of blue


When you're feelin' low
To whom else do you go?
I'd cry if you hurt
I'd give you my last shirt
Because I love you so


Now, if my sky should fall
Would you even call?
I've opened up my heart
I never want to part
I'm givin' you the ball
When I look in your eyes
I can feel the butterflies
I'll love you when you're blue
But tell me darlin' true
What am I to you?


If my sky should fall
Would you even call?
I've opened up my heart
I never wanna part
I'm givin' you the ball


When I look in your eyes
I can feel the butterflies
Could you find a love in me?
Would you carve me in a tree?
Don't fill my heart with lies
I will love you when you're blue
But tell me, darlin', true
What am I to you


Assim fica difícil, a vida imita arte – tudo bem, já sabia! Mas ocupar a minha cadeira no trabalho já é invasão, vou tomar providências!!! Um café batizado seria a solução, mas como já não bebo conhaque, aperto o botão de espresso forte e fumo, no imaginário, o meu charuto.
Tá de lascar a tampa, tá difícil aqui fora e dentro de mim!!!  


 

 

 
foto web

 

2 comentários:

  1. Minha querida amiga, a profundiade da prosa e a beleza da poesia, mrecíam, sem duvida, um conhaque...Diria mais, um Cognac ou um Armagnac em balão de cristal aquecido para que o bouquet, invadindo suas narinas em transito para a sua memória de excentricidas passadas e futuras...O expresso, mesmo forte e tirado na hora, é mais para confabulação menos produzida e estados de alma mais distantes do Olimpo!
    Para mim V. é uma Vestal...
    Beijos oníricos,
    Zito

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