15 de jul de 2013

Louça Azul

Queridos,

transcrevo abaixo um e-mail que repassei a amigos e familiares sobre a minha estória de amor com as louças Azul e Branca, que depois de 25 anos consegui realizar.
 
Este e-mail já conta 4 anos e hoje  a emoção é a mesma quando vejo a minha louça no armário, ponho a mesa ou as utilizo. Pelo seu teor e forma, posso arriscar a dizer que foi o "ovo antes da galinha", sem dúvidas, a primeira postagem do café e bolinho, antes do blog existir!

Como estou meio down, lanço mão desta lembrança feliz para amenizar as coisas porque qualquer maneira de amor vale a pena e conforta!
Amor é amor!

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Queridos, shanti (votos de paz)
Há 25 anos passados, eu tinha uma amigo mineiro, charmoso e que transformou um pequeno quarto e sala no apartamento dos seus sonhos, buscando em cada coisa e  cada detalhe, com esmero realizar-se. Na época contava eu com 25 anos, jovem, 2 filhas, magra, trabalhando muito e chegada a uma farra! Passava parte do tempo com ele, já que éramos colegas de trabalho e perambulávamos pelos seus sonhos com o seu “AP”
Um dia fui  convidada a jantar, em alto estilo, para conhecer as louças que chegará dos cofins de Minas. Conheci então, algo que se tornou um objeto de desejo - a louça azul. Não uma louça qualquer, mas a mais bela louça azul e branca que já tinha visto. Ela era tudo que eu queria - pesada, feita a mão, genuinamente artesanal e azul e branca.

 
Desde então passei a ter a louça como um sonho e, quase 20 anos depois, fui subitamente acometida por sentimento de inveja ao visitar uma colega, que pensava ser carioca, mas era mineira: -  Ela tinha todo um serviço na louça azul e branca dos meus sonhos. Um ármário cheio!
 
A esta altura o sonho já virara mania e fiz um armário especial na minha casa de Cairú para acomodá-las, apesar de não ter idéia de como ou onde iriaa acha-las. Tive que contentar-me com uma imitação,  caraíssima, da Portobello.
 
 
A louça tornou-se objeto sonhado, o desejo não realizado.
 
Passei a alimentar a conta gotas o meu sonho sempre que almoçava com Zé (Moreira), vez por outra, no restaurante D´Liana, onde até os cinzeiros erão da minha louça.
 
 
O tempo passou e trouxe a possibilidade de realizar o sonho quando inaugurou a Tok e Stock em Salvador, e, na área de louças, em grande estilo, uma bancada cheinha da minha louça em exposição . Grande estilo mesmo, pois um prato custava mais de 30 contos (reais).
 
 
Acomodei meu sonho na prateleira do impossível, mas olhando na internet resolvi buscar “louça azul+Minas Gerais” e lá estava a fabrica da Monte Sião, a única que fabricava a tal louça. Tive um surto, simulei a compra, mas tinha quantidade mínima, problemas e riscos com frete. Era na verdade, compras para representante e não consumidores finais como eu e, ainda por cima, de algumas poucas peças.
 
 
Pensei em viajar para comprar e por fim desisti. Aprendi a ficar feliz em vê-las em cenas de novela, revistas, ter outras peças no mesmo tom. A minha acomodação não impediu a contaminação, por repetição, das minhas filhas.
 
 
Agora, nos meus 50 anos, elas buscavam criar um marco, algo significativo e associado ao meu meio século de vida. As duas, rodeadas por amiga e prima, rodaram lojas, futucaram sites, fizeram das tripas coração e mandaram buscar a louça lá, lá mesmo na fabrica, no inteiror de Minas.

 
Uma surpresa para o meu café da manhã do dia de aniversário - 3 de junho. Parecia tudo terminado, louça comprada, a duras penas e muita economia. O irmão postiço, juntou-se e ampliaram de café, jantar ao cafézinho.
 
...mas não seria tão simples assim: veio o meu aniversário, passou-se mais dias e elas murchas confessaram que havia comprado um presente que se extraviou. Isto mesmo, a minha louça se perdera!!!
 
Depois de longas ligações, reclamações , de pagar a faxineira para dar plantão por dias, segredo entre colegas e parentes, descobriu-se que depois de chegar pertinho, em Feira de Santana, a minha louça foi parar em Rondonia e se perdeu no caminho.
 
 
Eu só sabia do extravio e da tristeza, mas já nem ousava perguntar de que se tratava, cansei de fazer hipóteses na minha cabeça, pois havia um fato concreto: o presente sumiu e elas estavam muito tristes!
 
Ontem eu estava numa oficina de trabalho com minha filha Cecília - eventualmente trabalhamos juntas, quando ela saiu correndo, pois por fim , havia localizado! Fácil? não. A transportadora, não achava o meu endereço -coisa que nunca aconteceu em mais de 20 anos- e jurava voltar com encomenda (grsss). 
 
 
Cissa chegou em tempo , ufa! Mais uma vez fiquei dividida, tinha aula e vibração e muitos motivos para vibrar, que não vêm ao caso explicar, mas que elas entendiam e apoiavam. Engolí seco, curiosa até as pestanas e fui para aula, sem ainda saber do que se tratava.
 
 
Terminada a aula, me enfiei num taxi e cheguei em casa, coração aos pulos, tinha que procurar o pequeno pacote, segundo elas. Olhei no quarto delas e nada., mas havia uma pista: meu quarto estava fechado e isto não é um costume. Abri a porta e lá estava arrumada sobre a minha cama peças e peças da minha louça, 25 anos depois.

 
Comecei a olhar, choramingar,carregar as peças para mesa, dispor de diferentes formas , fotografar e descubro duas grandes coisas embutidas no presente: No site da marca um selo comemorativo de 1959 a 2009 - 50 anos da fabricação da primeira peça da minha louça, assim como eu cinquentona!! e de quebra ao contar as 42 peças, se incluo as tampas um bom e auspicioso desejo: - elas somam 51, um desejo e uma certeza de continuidade.
 
Agradeço a minhas filhas, pois foi uma grande demonstração de atenção, conhecimento e respeito com as minhas idiossincrasias, maluquices e desejos, a Eduardo que se incorporou com carinho de filho, a Tati e Noca pela cumplicidade das buscas por sites e lojas, aos amigos e irmãos que sabiam e torciam para que tudo deste certo.
 
 
Aos 50, sonho realizado, vou tomar café como desejo desde os 25 anos!!!
Beijos,












2 comentários:



  1. Meu amigo zito me mandou um e-mail no lugar do seu comentários de sempre, feitos aqui.
    Protestei, não posso deixar que isto vire um hábito e ele deixe de postar.
    repondi:
    obrigada pelo bom gosto da escolha e saiba que rosa é a minha cor. Estamos em sintonia.
    Seu carinho me faz muito bem. Continuo triste, mas levando os dias com muito trabalho e cafeina!!
    _____________________e-mail de Zito de Mindelo_________________
    Como comentário ao seu post sobre louça branca e azul, venho oferecer-lhe,
    > com todo o carinho, este "ramalhete" de porcelana inglesa nas referidas
    > cores, cujas origens remontam à dinastia Ming, da China...
    > Beijos, de Sèvres,
    > Zito

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  2. Velhinha,

    O exercício do desapego é dificil, mas necessário nas nossas vidas. Lembrando que DESAPEGO (se desfazer com muita emoção) NÃO É SINÔNIMO DE DESCARTE (se desfazer jogando fora). Às vezes até de pessoas temos que nos desapegar para sofrer menos e ficar com a lembrança boa.

    Anexo, um texto de Fernando Pessoa para contribuir de alguma forma com o nosso exercício de desapegar.


    Um cheiro azul como sua louça,

    Vanusia Souza

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