10 de jul de 2013

Nem toda queda é tombo!


Meu menino vadio,

Sinto a sua falta como terra árida reclama a chuva.

Seu cheiro ainda está no meu quarto, mas seu lado da cama começa a esfriar.

Mergulho em mim mesma buscando o eco da sua voz e a minha boca procura a sua. Você se foi e nem sei se sonhei , alucinei ou, verdadeiramente, o tive em meus braços.

Retomamos nossa rotina, entretanto o compasso para mim é outro. Nada ficou no lugar, abalou geral. A vida ficou diferente, a alegria tem nome e endereço. Estou a serviço do gostar e do desejo de ser feliz.

Tento me reinventar nesta nova vida. Vou me despindo de velhas práticas, redimensionando as expectativas e buscando carregar menos amarras.

Comprei uma caixa de lápis e tento ir retocando, pondo um colorido diferente nas lembranças. Abrindo passagens e por vezes, colocando portas para aprender a bater, pedir licença e respeitar.

Procuro colocar sons no teu silêncio, trocar interrogações por asteriscos, na esperança que virem belas notas de rodapé.

Abro janelas na parede da sua distância e traço estradas que o aproxime de mim.

Pinto, bordo, canto e assobio para o tempo passar logo e eu poder revê-lo!

Desejo que, vez por outra, lembre de mim e também sinta saudade.

Hoje tomei um queda brava. Fiquei quieta no chão pensando o que fazer. Melhorei e consegui levantar. Ralei o braço, bati a cabeça e ainda não sei o que vai ser do ombro.

Ali caída, pensei como a vida é boba e breve. Como se desperdiça o tempo. Se ficasse ali e não tivesse depois, teria eu, acaso, sido feliz?

Pensei nas filhas e no quanto me honram e orgulham, pensei em você e me dei conta da possibilidade que tivemos. Naquele momento, estatelada no chão, descobri que sou feliz.

Juntei meus cacos, fui para cama e liguei para a filha, que me medicou com suas salompas e sedilax.

Ainda tentei te ligar, mas o skype tá péssimo e nem chamou o seu número da claro.

Então apaguei a luz e estou cuidando de me ninar com este e-mail, mas acabo de receber um supermegahiper esporro da filha para que eu aquiete o braço, que tá machucado.

Então, beijos nos cantinhos e nos biquinhos e não esqueça que o cotovelo e as dobrinhas são só minhas!!!

Beijos
Nouredini  - MachucaDinha

P.S depois do primeiro café, eu te ligo para dá noticias.

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Queridos,
já tomei café e já estou no trabalho desde cedo. Da queda ficaram as marcas roxas, o dolorido e o ombro empenando. Nada de grave, só  as dores que são menores que a alegria de viver.





 
Faça de cada coisa, de cada momento um oportunidade. Foto tirada do quintal de dona Marta, no semiárdio da Bahia, que aproveita cada gota de chuva e cada vasilha que encontra. D. Marta é feliz, a sua maneira!

2 comentários:

  1. As surpresas dos efeitos da adrenalina na nossa mente...É ela que faz dos poltrões, herois...Não admita qua tenha convencido que, afinal, V. é feliz...Bendita queda!
    Bjs, em pára-uedas,
    Zito

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