1 de ago de 2013

Prateleiras e balcões da memória, nem sempre cheiram a café.


Sou uma prateleira de frascos vazios, afirma Fernando Pessoa no Livro do Desassossego. Fico imaginando a cena, pensando em frascos vazios empoeirados, perdidos de sua utilidade primeira!



Outrora foram cheios, mas cheios de quê? Perfumes? Primeiro, pensamos no que nos é agradável e depois desfilamos possibilidades, pontuando sempre entre pensamentos negativos e positivos: - venenos, sanativos, curativos, porções malignas, óleos essenciais...
...cheios daquilo que ocupa nossa mente no momento, que nos domina ou nos escraviza na forma de prazer ou dor. Empoeirados ou opacos pelo desgaste da memória, limpos e reluzentes em cores verdadeiros ou nas que só existem no furta-cor do nosso cômodo imaginário.
Se verdadeiros, se existiram um dia, poderemos ter derramado os medos, as dores e, por descuido, juntamente, as alegrias , os amores e assim, passamos a nos sentir meio “Fernandos Desassossegados” – prateleiras de frascos vazios!
Como ele mesmo disse, “Quem sou eu para mim? Só uma sensação minha."
Ainda bem que hoje não me faltou café, senão era um caos completo!

 




9 comentários:

  1. Pessoa esqueceu se os frascos "ainda" estão vazíos ou se "já" estão vazíos...Adoraria saber!
    Não sei se reparou mas seu cabelo está pegando fôgo!
    Já chamei o 991!
    Zito

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  2. ...muito pior que os frascos, será se o extintor estiver vazio quando o juízo pegar fogo!!!!

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  3. Durante as comemorações do 1.º centenário do nascimento de Fernando Pessoa, em 1988 e nos tempos mais próximos, antes e depois, houve um número incalculável de actividades relacionadas com a vida e obra do poeta de "Mensagem", de um e outro lado do Atlantico.

    À beira de os seus ossos irem para o lixo (estavam há décadas "provisoriamente" no Cemitério dos Prazeres, Lisboa, em local junto do qual José Saramago e Pilar se encontraram pela primeira vez), os restos mortais foram trasladados in-extremis em 1985 para o Mosteiro dos Jerónimos (honra rarísima), em jazigo com trabalho do escultor Lagoa Henriques.

    Arrumados o esqueleto do bardo e as consciências nacionais, os comemorativos de serviço deram largas à edição de inéditos e reedição de obras esgotadas do homem que em vida quase nada conseguiu publicar. Digamos que à maneira de Van Gogh... Houve palestras, houve debates, houve espectáculos dos mais variados, coisa raramente vista aqui no rectângulo-cara da Europa. Do lado do Brasil, o mesmo... de tal modo que ficou célebre uma frase cuja autoria desconheço inventada aí que era "Tanto Pessoa, já enjoa!"

    Nunca Pessoa enjoa, mas que a frase teve graça, não há dúvida.

    Braça poética,
    Djack

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  4. Ali em cima era "Atlântico" e não "Atlantico". Em post sobre um poeta do calibre de Pessoa, seria crime imperdoável a falta do chapelinho circunflexo... logo relativamente a ele, sempre de chapéu.

    Braça com acentuação como deve ser...
    Djack

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  5. Muito honrada com a visita do amigo e douto no assunto, entretanto peço que não se agonie com a falta do acento, pontuações, letras trocadas, senão terás que abandonar a leitura deste blog, cheio de erros terríveis, mas cheios de boa intenção!
    Dizem que de boa intenção o inferno está cheio e, com cabelos em brasa, lhe digo bem-vindo ao inferno, com ou sem hífem.
    Com muita gratidão, abraços
    Nouredini

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  6. Aqui o Djack não costuma criticar os outros, mas critica-se furiosamente a si próprio, emendando sempre e dando cacetadas na própria cabeça, quando dá pela asneira.

    Braça emendada,
    Djack

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