30 de out de 2013

Inanimada? Não, desanimada!

Sempre pensei que objetos fossem seres inanimados e livres do sentimento de apego. A falta de um corpo de sensações e emoções os permitiria passar pela chamada "vida útil" sem sofrimentos. Assim pensava até ontem.

Explico-lhes, se for possível.  Ontem, postei sobre os sustos levei  – um tiroteio na minha rua e uma recomendação médica de diminuir o café espresso em face a uma arritmia. Sustos de razões diferentes, mas deste último ainda não me recuperei  e tenho sobressaltos quando me lembro da recomendação. Pensei que algo tão particular só afetasse a mim ou no máximo aos íntimos, que terão que suportar o meu humor  - mau humor -  diário até que meu organismo se acostume a o corte de cafeína pela metade.

Qual nada! Afetei direto o coração e os sentimentos de outrem:  - Desatenta, contei o ocorrido em alto e bom tom a minha filha e por duas vezes fui até a cafeteira e desisti do café ao me lembrar da recomendação, tudo sem cuidados com quem ouvia ou via.

Ontem, tendo cumprido rigorosamente a recomendação de diminuir o café a metade,  cheguei em casa havida por um espresso da hora e para minha surpresa, a minha querida cafeteria recusou-se a funcionar. Deu “pit rajado” e não teve, santo, promessa ou reza brava que a fizesse funcionar. Parou e ficou piscando todas as luzes, enlouquecida.

Tive que tomar um cafezinho coado, olhando-a a pensar que aquele pequeno e querido objeto tem alma e sentimento e eu a feri, talvez mortalmente quando fiz os comentários sem me importar com ela. Rezo fervorosamente que um internamento no balcão de serviços a recupere e traga-lhe a termos.

Não posso e não quero perde-la. Afirmei dois posts atrás que “enquanto ela reinasse soberana na mesinha da sala eu saberia que ainda tenho liberdade”.  

Meu santinho protetor dos viciados em café, rogai por mim;

Minha santinha protetora da máquinas autônomas, rogai por ela.

Se não  tiver jeito,  saberei o que é Karma.  Karma gerado, Karma devido, karma pago.

A culpa é do meu médico! Vixe, lá vem mais karma.

2 comentários:

  1. Eu acredito numa certa forma de empatia com objectos, por vezes, ofertas sem quaklquer valor material...Eu aínda hoje uso um corta-unhas que meu irmão me ofereceu há mais de 50 anos...Há uns meses, perdi um canivetinho que minha filha me tinha trazido da Suiça há muitos anos...Fiquei doente por alguns dias, sem palito para limpar as sobras do bife nem a pinça minúscula para arrancar as sobrancelhas brancas...Há "coisas" que são parte de nós!
    Melhoras p/ sua máquina...
    Café de saco é bem bom...
    Beijinhos, também...
    Zito

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  2. resignada ao café de saco, espero a chegada do sábado quando poderei levar a cafetereira para o "doutor".
    Beijos queixosos

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